A Natural Products Expo West 2026 reuniu 60.000 profissionais, 3.100 marcas e varejistas como Whole Foods, Costco, Kroger e Amazon em Anaheim, Califórnia. É a 45ª edição de uma feira que funciona como termômetro do que vai chegar às prateleiras nos próximos 12 a 24 meses.
O setor de produtos naturais e orgânicos atingiu US$ 342 bilhões em vendas globais em 2025. A projeção é crescer 24% até 2029.
Acompanho essa feira há anos porque o que acontece em Anaheim em março chega às prateleiras brasileiras em 18 a 24 meses. E cada tendência que dominou a Expo West 2026 tem uma consequência direta em embalagem.
Cinco tendências dominaram o evento.
1. GLP-1 virou critério de compra
Os medicamentos de emagrecimento (Ozempic, Wegovy) já têm 25 milhões de usuários projetados nos EUA até 2030. Esses consumidores comem menos — mas exigem mais qualidade por porção.
Marcas inteiras foram reformuladas para comunicar saciedade, proteína e suporte digestivo. Pode parecer distante do Brasil, mas essa lógica de “menos volume, mais valor nutricional declarado” já está em movimento por aqui.
Quando a porção encolhe e o preço não cai, a embalagem passa a carregar o peso da justificativa. Ela precisa comunicar valor antes mesmo de o consumidor abrir o produto.
2. Proteína é o novo básico
Apareceu em produtos onde nunca tinha estado — macarrão, molho de tomate, chips, café, pizza. A NielsenIQ registrou que 60% dos consumidores globais aumentaram intencionalmente o consumo de proteína em 2025.
Quando proteína está em tudo, o ingrediente deixa de ser o diferencial. O diferencial passa a ser a clareza com que a marca comunica isso na embalagem — no PDV, em menos de três segundos.
3. Clean label evoluiu para clean design
Marcas maduras na Expo West 2026 não lançaram novos produtos — relançaram identidades visuais. O insight foi direto: consumidores não têm tempo de ler.
A embalagem precisa ser navegável em menos de 3 segundos no PDV. Simplicidade visual não é estética — é estratégia de conversão.
Essa foi a tendência mais discutida no evento — e a que mais diretamente define o trabalho do design e formato da embalagem.
4. Regenerative Organic: rastreabilidade como produto
O “orgânico” virou commodity. O próximo nível é o Regenerative Organic Certified — que exige provar saúde do solo, práticas de agricultura regenerativa e conexão com o produtor.
Marcas estão colocando o nome e a história do fazendeiro no produto. A origem virou argumento de venda — e a embalagem é o suporte físico dessa narrativa.
Na Camargo fizemos isso em 2019 com a Dengo Chocolates, anos antes dessa tendência ter nome.
5. Hidratação funcional explodiu
Crescimento de 10x em SKUs de hidratação no período pré-feira. Bebidas prebióticas, adaptogênicas, com cogumelos funcionais e eletrólitos dominaram os corredores.
O consumidor não quer mais água — quer água que faça algo por ele. E quer saber exatamente o que ela faz antes de colocar no carrinho.
No Brasil, a Liquidz já opera nesse território. Desenvolvemos com eles embalagens que traduzem essa proposta funcional no ponto de venda.
O mercado de alimentos saudáveis não espera.
US$ 342 bilhões em vendas. Crescimento de 24% projetado até 2029. Consumidores que comem menos, mas exigem mais — mais proteína, mais fibra, mais transparência, mais história.
Essas tendências não ficam em Anaheim. E quando chegam ao Brasil, chegam rápido.
Em todos os cinco casos, quem decide se a tendência vira venda é a embalagem no PDV. Sua marca está preparada para essa conversa?
Embalagem é mídia. E o conteúdo mudou.