Diante da escalada nos preços do petróleo, pressão sobre matérias-primas e novos gargalos logísticos provocados pela Guerra no Irã, a indústria de transformação plástica volta a operar sob um cenário de extrema pressão. Margens comprimidas, juros elevados e ausência de crescimento orgânico já vinham desafiando o setor — e o atual contexto intensifica ainda mais a necessidade de decisões estruturais.
Foi nesse cenário que Felipe Toledo, CEO da Camargo Embalagens, participou de uma pesquisa de opinião do setor, trazendo uma análise direta sobre o momento e os caminhos necessários para a sustentabilidade das operações. Segundo o executivo, a indústria já enfrentava um período de desequilíbrio desde o pós-Covid, marcado por excesso de oferta, concorrência agressiva e práticas comerciais que, muitas vezes, comprometiam a rentabilidade. “O mercado entrou em uma dinâmica de ‘rouba-monte’, onde o crescimento vinha da perda de outro transformador — um movimento que, no longo prazo, fragiliza toda a cadeia”, explica.
A combinação de inflação ao consumidor, alto endividamento das famílias e mudanças no comportamento de consumo agravou ainda mais esse cenário, reduzindo a previsibilidade e pressionando ainda mais os resultados. Agora, com a nova crise geopolítica, a indústria retoma com força seu papel essencial: garantir abastecimento, qualidade e nível de serviço em uma cadeia altamente dependente de insumos globais.
“A embalagem mais cara é aquela que não chega na sua fábrica. Isso ficou claro na pandemia e volta a se repetir agora”, afirma Felipe Toledo. Diante desse contexto, o executivo destaca que não há mais espaço para absorver impactos sem ajustes estruturais. Segundo ele, o momento exige ações firmes — ainda que difíceis.
“Antes, o risco era de uma deterioração lenta das margens. Agora, falamos de um risco imediato. Repassar custos e ajustar operações deixou de ser uma escolha e passou a ser uma necessidade para manter a cadeia funcionando”, reforça.
Para atravessar o cenário atual, Felipe aponta uma estratégia clara e direta: transparência, agilidade e fortalecimento das relações. “A estratégia básica é simples: ser transparente com o cliente, agir rápido e se antecipar aos movimentos. Estar próximo de clientes e fornecedores é o que sustenta as decisões difíceis que esse momento exige.” Nesse contexto, a credibilidade passa a ser o principal ativo das empresas. “A credibilidade é o ativo mais difícil de se manter — e quem conseguir preservá-la sairá mais forte desta crise, mesmo tendo que tomar decisões duras.”
Por fim, o executivo levanta uma reflexão sobre o comportamento do mercado após momentos de ruptura. Durante a pandemia, a indústria foi reconhecida como elo estratégico da cadeia — reconhecimento que se dissipou rapidamente com a normalização do abastecimento.
A dúvida que permanece é se o aprendizado desta nova crise será duradouro.
“Será que desta vez será diferente? Ou vamos repetir o ciclo? Não tenho essa resposta. Mas acredito que empresas que aproveitarem este momento para construir relações mais transparentes e honestas terão mais chances de consolidar esse valor no longo prazo.”