Desenvolver uma nova embalagem não termina quando a estrutura é definida.

Antes de entrar em produção seriada, é importante verificar se a solução atende aos requisitos estabelecidos para o produto, para o processo de envase e para as condições que encontrará ao longo da cadeia.

Dependendo da aplicação e da criticidade do projeto, essa validação pode envolver análises da estrutura, ensaios laboratoriais, testes em linha, avaliações de transporte, estudos de vida útil e documentação técnica.

O objetivo é simples: identificar incompatibilidades e oportunidades de ajuste antes que elas apareçam em escala industrial.

Quanto mais cedo um problema é identificado, maiores são as possibilidades de corrigi-lo ainda durante o desenvolvimento, evitando impactos mais significativos sobre produção, prazos e materiais.

O que precisa ser avaliado antes da aprovação

Um bom plano de validação começa pelos requisitos da aplicação. Antes de definir quais ensaios serão realizados, é preciso entender o que a embalagem precisa entregar e quais características são críticas para o desempenho do conjunto produto-embalagem.

Entre os principais pontos de avaliação estão:

  • Adequação ao produto: a estrutura precisa oferecer proteção compatível com as características do produto e com a vida útil pretendida.
  • Compatibilidade com o processo: a embalagem deve apresentar comportamento adequado no equipamento e nas condições de envase previstas.
  • Desempenho ao longo da cadeia: armazenamento, manuseio, transporte e distribuição podem impor diferentes solicitações à embalagem.
  • Conformidade aplicável: materiais e estrutura precisam atender aos requisitos regulatórios e documentais pertinentes ao tipo de produto acondicionado e ao mercado de destino.

Para cada projeto, devem ser definidos previamente os requisitos e critérios de aceitação relevantes.

Assim, a decisão de aprovação deixa de depender apenas de percepções individuais e passa a se apoiar em parâmetros previamente estabelecidos.

Ensaios de estrutura: o que precisa ser conhecido

Ensaios laboratoriais podem ajudar a caracterizar a estrutura e verificar propriedades importantes para a aplicação.

A seleção dos testes depende do tipo de embalagem, dos materiais utilizados, do produto acondicionado e dos requisitos do projeto.

Entre as propriedades que podem ser avaliadas estão:

  • espessura e características da estrutura, conforme a especificação técnica;
  • taxa de transmissão de oxigênio e de vapor d’água, quando essas propriedades de barreira forem relevantes para a aplicação;
  • resistência da selagem, quando aplicável ao sistema de fechamento;
  • resistência de laminação, em estruturas laminadas;
  • propriedades mecânicas, como resistência à tração, alongamento, rasgo ou perfuração, conforme a necessidade;
  • coeficiente de atrito, quando seu comportamento for relevante para processamento e maquinabilidade.

Nem todos esses ensaios são necessários em todos os projetos. A definição deve partir das características críticas da aplicação e daquilo que efetivamente precisa ser comprovado.

No caso de embalagens destinadas ao contato com alimentos, também é necessário considerar a documentação e os requisitos regulatórios aplicáveis aos materiais e à estrutura, de acordo com a legislação pertinente e com as responsabilidades de cada empresa envolvida na cadeia.

Teste em máquina: quando a estrutura encontra a operação real

Uma estrutura pode apresentar resultados adequados em ensaios laboratoriais e, ainda assim, exigir ajustes quando chega à linha de envase.

Isso acontece porque a operação introduz variáveis que não são avaliadas da mesma forma em bancada: velocidade, tensão, temperatura, sincronismo, geometria do equipamento e interação entre material, máquina e produto.

Por isso, quando aplicável, o teste industrial ou piloto é uma etapa importante antes da produção em escala.

Sempre que possível, o teste deve buscar reproduzir de maneira representativa as condições previstas para a aplicação final.

Durante essa etapa, alguns aspectos podem ser observados:

  • comportamento no desbobinamento e condução do filme;
  • leitura de marcas de registro e posicionamento da impressão;
  • comportamento da selagem dentro das condições operacionais previstas;
  • formação da embalagem;
  • funcionamento de recursos como zíper, quando aplicável;
  • comportamento em dobras, vincos e regiões críticas;
  • estabilidade do processo e ocorrência de perdas ou necessidade de ajustes.

Mais importante do que encontrar apenas um parâmetro em que a embalagem funcione é compreender se existe uma condição operacional adequada e consistente para o processo.

O registro das condições utilizadas durante o teste também ajuda a documentar a referência aprovada para futuras produções.

Vida útil: embalagem e produto precisam ser avaliados em conjunto

A embalagem desempenha um papel importante na proteção do produto ao longo de sua vida útil, mas não é o único fator que determina o shelf life.

Formulação, processamento, condições microbiológicas quando aplicáveis, envase, armazenamento, distribuição e características da própria embalagem fazem parte desse resultado.

Por isso, quando a mudança de embalagem puder influenciar a estabilidade ou a conservação do produto, a avaliação do conjunto produto-embalagem deve fazer parte do processo de validação.

Estudos em condições reais são importantes para verificar o comportamento do produto ao longo do período pretendido.

Em determinadas aplicações, estudos acelerados também podem ser utilizados como ferramentas complementares, desde que a metodologia seja tecnicamente adequada ao produto e que seus resultados sejam interpretados dentro das limitações do método empregado.

O ponto fundamental é não tratar uma estimativa acelerada como automaticamente equivalente ao comportamento observado em condições reais.

Transporte e distribuição também fazem parte do projeto

A embalagem não enfrenta apenas a linha de envase. Depois da produção, o produto pode passar por armazenamento, movimentação, paletização, transporte, centros de distribuição, pontos de venda e diferentes formas de manuseio até chegar ao consumidor.

Dependendo do produto e do sistema de distribuição, podem ser necessárias avaliações específicas para verificar o comportamento da embalagem diante dessas condições.

Essas avaliações podem envolver aspectos como resistência mecânica, integridade da selagem, perfuração, abrasão, compressão, vazamentos e interação da embalagem primária com o restante do sistema de acondicionamento.

Mais uma vez, não existe um único protocolo adequado para todas as aplicações. O plano de validação precisa reproduzir, da forma mais representativa possível, os riscos reais da cadeia daquele produto.

O que documentar antes da produção seriada

A aprovação de uma nova embalagem deve deixar claro o que foi avaliado, quais critérios foram utilizados e qual configuração foi considerada adequada para a produção. Dependendo do projeto, essa documentação pode incluir:

  1. Especificação técnica da estrutura, com propriedades e tolerâncias relevantes.
  2. Resultados dos ensaios aplicáveis, relacionados aos critérios previamente definidos.
  3. Registro dos testes de processo ou de linha, quando realizados, incluindo condições relevantes da operação.
  4. Resultados ou referências dos estudos relacionados à vida útil, quando necessários para a alteração em questão.
  5. Referências de arte e cor aprovadas para produção.
  6. Documentação técnica e regulatória aplicável aos materiais e ao produto.
  7. Critérios para futuras alterações, indicando quais mudanças podem exigir nova avaliação ou revalidação.

Esse último ponto é especialmente importante.

Mudanças em materiais, estrutura, espessura, fornecedores, processo ou características do produto podem alterar o comportamento do conjunto. Por isso, é importante avaliar previamente quais modificações são relevantes o suficiente para exigir uma nova análise.

O papel da Camargo Embalagens no desenvolvimento e na validação

Na Camargo Embalagens, o desenvolvimento de uma nova estrutura considera não apenas a produção da embalagem, mas também as condições em que ela será utilizada.

Características do produto, requisitos de proteção, processo de envase, equipamentos, selagem, armazenamento, distribuição e vida útil pretendida ajudam a orientar as decisões técnicas do projeto.

A partir dessas informações, a Camargo pode trabalhar em conjunto com o cliente na definição e no ajuste da estrutura, no fornecimento de informações técnicas e no suporte às etapas de avaliação necessárias antes da produção seriada.

Quando os testes indicam necessidade de ajustes, materiais, estrutura e demais características da embalagem podem ser reavaliados de acordo com os requisitos da aplicação.

A validação final envolve responsabilidades e critérios específicos de cada projeto e das empresas participantes da cadeia. O papel de um fornecedor técnico é contribuir com conhecimento, informações e suporte para que essa decisão seja tomada com mais segurança.

Validar antes da escala é transformar requisitos em evidências e reduzir incertezas antes que elas cheguem à produção.

Apresente seu projeto à equipe da Camargo Embalagens e converse com nossos especialistas sobre os requisitos técnicos da sua próxima embalagem.